A Efetividade, equilibrando Eficiência com as virtudes da Eficácia

Introdução

A filosofia nos ensina que existem hábitos bons, conhecidos como virtudes e hábitos ruins conhecidos como vícios.

Em nossos modelos mentais cultivamos alguns hábitos e para crescer, na busca da excelência pessoal e profissional, do autodomínio e do autocontrole devemos tomar ciência deles e procurar reduzir ao máximo os vícios e cultivar cada vez mais as virtudes.

Particularmente tenho grande admiração por muitas pessoas que ao longo dos anos contribuíram com teorias e com  melhores práticas nas empresas e no mundo dos negócios, principalmente por aqueles que em seu caráter cultivam princípios e valores que usam para contribuir com as pessoas e a sociedade como um todo. Só para citar alguns que trago em minha memória: Peter Senge que escreveu o livro “A Quinta Disciplina – A arte e a prática da Organização que Aprende” onde fala sobre Pensamento Sistêmico, Domínio Pessoal, Modelos Mentais, Visão Compartilhada e Aprendizagem em Equipe, pois pensa que uma organização só aprende na proporção que seus colaboradores aprendem. Jack Welch ex CEO da GE e o livro Paixão por Vencer e outros, Peter Drucker e seus ensinamentos sobre Gestão, Robert Kaplan e seus ensinamentos sobre planejamento gestão estratégia com o Balanced Scorecard, Philip Kotler, que tanto nos ensinou sobre Marketing, Malcon Gladwell, Idalberto Chiavenato e tantos outros.  Em 2005 num evento da HSM Management tive o prazer de conhecer pessoalmente alguns deles.

Neste artigo, além de apresentar resumidamente os conceitos que aprendi sobre Eficiência, Eficácia e Efetividade que considero muito importantes para qualquer profissional, vou apresentar também um resumo dos “7 hábitos das pessoas altamente eficazes e do Oitavo hábito” de Steven Covey.

A eficiência, a eficácia e a efetividade

Idalberto Chiavenato  em seu livro “Gerenciando com as Pessoas” quando nos apresenta alguns fatores de êxito no desenvolvimento da equipe de trabalho apresenta a seguinte tabela para esclarecer a diferença entre os termos Eficiência e Eficácia:

Eficiência – Fazer certo as coisas (de modo adequado) Eficácia – Fazer as coisas certas
Otimização na utilização dos recursos disponíveis. Otimização no alcance dos objetivos organizacionais.
Refere-se aos meios, ao caminho utilizado, às etapas seguidas. Refere-se aos fins, aos alvos, aos objetivos que se pretende alcançar.
É relacionada com os métodos, processos e rotinas de trabalho, com normas de ação e regulamentos. Está relacionado com os resultados, com os propósitos e finalidades.
Tem ênfase na burocracia. Tem ênfase nos objetivos/resultados.
Está ligada ao processamento do sistema (throughtput). Esta ligado à saída ou resultado do sistema (output).
Significa executar bem as coisas. Significa alcançar resultados.
É melhor maneira de executar. Busca o sucesso.
É orientada internamente para os recursos disponíveis. É orientada externamente para os objetivos organizacionais.
Tem visão voltada para o método, para os cursos de ação. Tem visão voltada para o resultado, para as conseqüências, para o fim.
Refere-se ao como fazer as coisas. Refere-se ao porquê das coisas.

Em resumo: Eficiência é fazer o trabalho solicitado, executar as tarefas otimizando o uso dos recursos. Eficácia é atingir o resultado. Efetividade é o equilíbrio entre eficiência e eficácia e para atingi-la é preciso pensar em manter o ambiente sustentável, apresentar resultados globais ao longo do tempo e isto requer inovação.

A partir de tais ensinamentos, quando eu penso em eficiência, lembro dos Funcionários que estão apenas interessados em cumprir suas tarefas operacionais, que obviamente são necessárias; quanto eu imagino eficácia, lembro do Colaborador que se preocupa não só em resolver suas tarefas, mas também em ajudar os outros membros da equipe a cumprirem as suas tarefas, pois sabe que o resultado depende do trabalho de todos e é preciso ter uma visão sistêmica para enxergar além do trabalho solicitado e do resultado almejado, olhando para a necessidade de quem solicitou seja o cliente, o usuário ou outro interessado. Só assim poderá ser criativo, contribuir com idéias e inovar em seu trabalho.

Quanto as virtudes que comentei no início do artigo, destaco estas propostas por Stephen R. Covey.

Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes

Hábito 1: Seja proativo

Ser proativo é mais do que tomar a iniciativa. É reconhecer que somos responsáveis pelas nossas próprias escolhas e que temos a liberdade de escolher com base em princípios e valores, mais do que em circunstâncias e condições. As pessoas proativas são agentes da mudança e escolhem não ser vítimas, não ser reativas, nem por a culpa nos outros. Ao praticar este princípio, você passa a assumir novos desafios, a aceitar responsabilidades e melhoram a produtividade final.

Hábito 2: Comece com o objetivo em mente

As pessoas, as famílias, os grupos e as organizações moldam o próprio futuro ao criarem uma imagem e um objetivo mental para qualquer projeto, seja ele grande ou pequeno. Não vivem apenas um dia após o outro, sem terem um objetivo claro em mente. Identificam-se e comprometem-se com os princípios, com os relacionamentos e com os objetivos que mais importam para eles. Antes de começar qualquer tarefa, o resultado final deve ser mentalizado. Continuamente, deve ser avaliado se o caminho que está sendo percorrido está correto e se levará ao destino traçado.

Hábito 3: Primeiro o mais importante

“Primeiro o mais importante” significa organizar e executar suas prioridades essenciais. Significa viver e ser conduzido pelos princípios que você mais valoriza, não por agendas e forças à sua volta. Este hábito incentiva a pessoa a agir e priorizar as tarefas que mais importam. Ensina a não perder tempo com o que não é prioritário e a focar as ações nas coisas mais importantes.

Hábito 4: Pense em ganha/ganha

Pensar em ganha/ganha é um estado de espírito que busca o benefício e o respeito mútuos em todas as relações humanas. É pensar em termos de abundância e oportunidades, e não em escassez e competições. Este hábito resolve conflitos e ajuda a pessoa a buscar soluções mutuamente benéficas, além de proporcionar relacionamentos pessoais e profissionais mais saudáveis e duradouros na vida pessoal e no trabalho.

Hábito 5: Procure primeiro compreender, depois ser compreendido (empatia)

Quando ouvimos mais com a intenção de compreender os outros do que com a de retrucar, começamos a construir a verdadeira comunicação e o verdadeiro relacionamento. As oportunidades para falar abertamente e ser mais bem compreendido surgem de modo mais fácil e espontâneo. Procurar compreender exige consideração, procurar ser entendido requer coragem. A eficácia reside no equilíbrio das duas coisas. A prática deste hábito, baseado na habilidade da escuta, favorece um entendimento mais profundo das questões e uma comunicação mais clara com as pessoas.

Hábito 6: Crie sinergia

A sinergia é a terceira alternativa – não do meu jeito, não do seu jeito, mas um terceiro, melhor do que qualquer um de nós possa apresentar. Ela é fruto do respeito, da valorização e até mesmo da exaltação das diferenças entre um e o outro. Trata de solucionar problemas, aproveitar oportunidades e resolver diferenças – não através de concessões (1 + 1 = 1 e ½), nem mesmo da cooperação (1 + 1 = 2), mas através da cooperação criativa (1 + 1 = 3 ou mais). Este hábito ensina a tirar proveito das diferenças e a descobrir opções e alternativas melhores do que o “meu jeito” ou o “seu jeito”.

Hábito 7: Afine o Instrumento

Afinar o instrumento refere-se a uma constante renovação de nós mesmos nas quatro principais áreas da vida: física, social/emocional, mental e espiritual. É o hábito que aumenta nossa capacidade para viver todos os outros hábitos com eficácia. A evolução contínua de cada um nas áreas social/emocional, física, intelectual e espiritual, aumentará significativamente a produtividade individual e a da empresa.

Da eficácia à grandeza

Estamos testemunhando uma das mais significativas mudanças de nossa História, especialmente dentro das corporações: a transição da Era Industrial para a Era do Conhecimento (ou da Informação). Essa transformação implica em não mais enxergar as pessoas como objetos, mas passar a considerá-las completas, feitas das quatro partes extraordinárias da nossa natureza: corpo, mente, emoções e espírito. Segundo Stephen R. Covey, essas quatro partes correspondem a quatro capacidades ou inteligências:

  • Inteligência Física ou corporal (sistemas respiratórios, circulatórios, e nervoso);
  • Inteligência Mental (capacidade crítica e de raciocínio, de pensar abstratamente, de usar a linguagem, de visualização e de compreensão);
  • Inteligência Emocional (Conhecimento que temos de nós mesmos, em nossa autoconsciência, percepção social, empatia e capacidade de nos comunicar com êxito com as outras pessoas); e
  • Inteligência Espiritual (a central e mais fundamental de todas as inteligências, porque é a fonte de orientação para as outras três).

Os 7 Hábitos tratam de como nos tornamos altamente eficazes.  Eles representam um marco de referência completo quanto a princípios universais, atemporais de caráter e de eficácia humana.

Ser uma pessoa ou organização eficaz não é mais uma opção no mundo de hoje – é o preço que pagamos para entrar em campo. Mas sobreviver, desabrochar, inovar, mostrar excelência e liderança, nesta nova realidade nos exigirão ir além da eficácia. O que a Era do Conhecimento exige e demanda é grandeza. É a realização, execução apaixonada e contribuição significativa. E isto está num plano, ou numa dimensão, diferente. São coisas de tipo diferente – tal como o significado difere em tipo, não em grau, do sucesso. Recorrer aos níveis mais elevados do gênio e da motivação humanos – o que chamaremos voz – exige uma nova atitude mental, uma nova habilidade, um novo conjunto de ferramentas, ou seja, um novo hábito.

Trata-se de ver e dominar o poder de uma terceira dimensão que se junta aos 7 Hábitos e atende o desafio da Era do Trabalhador do Conhecimento.

O 8º Hábito – Encontre a sua voz interior e inspire os outros a encontrar as deles

Este hábito representa o caminho para o grande lado promissor da realidade dos dias de hoje. É a “voz” do espírito humano – cheia de esperança e inteligência, resiliente por natureza, iluminada em seu potencial de servir o bem comum. Essa voz também abrange a alma da organização que sobreviverá, prosperará e terá impacto profundo no futuro da humanidade.

A “voz” é o nexo entre o talento (nossos dons e pontos fortes naturais), a paixão (aquelas coisas que nos energizam, empolgam, motivam e inspiram), a necessidade (incluindo o que o mundo precisa tanto que nos paga por isso) e a consciência (essa pequena voz silenciosa dentro de nós que nos diz o que é certo e nos impele a fazê-lo). Quando nos engajamos num trabalho que usa nosso talento e alimenta nossa paixão – que surge de uma grande necessidade do mundo que nossa consciência nos chama a atender -, é ali que estão nossa voz, nossa vocação, o código de nossa alma.

  • A liderança é uma escolha, não uma posição.
  • Tudo o que é necessário para que o mal triunfe é que os homens bons não façam nada.
  • Poucos de nós podem fazer grandes coisas, mas todos nós podemos fazer pequenas coisas com muito amor. – Madre Teresa.

Quando estamos inspirados por um grande propósito, um projeto extraordinário, todos os nossos pensamentos ultrapassam seus limites. Nossa mente transcende suas limitações, nossa consciência se expande em todas as direções e nos encontramos num mundo novo, grande e maravilhoso.

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Alguns mapas mentais:

Competência Pessoal, com Aprendizagens Fundamentais do indivíduo e Competências da Organização

Gestão, Liderança e Sucesso resumo do livro: A Única coisa que você precisasaber sobre …

Entrevista, do livro: “Paixão por Vencer” de Jack Welch, e outras fontes

Inteligência Emocional, extraido do livro de Daniel Goleman

Assertividade, baseado no livro “Seja Assertivo!” de Vera Martins

Liderança Gerencial, Competências-chave, Zonas positivas e negativas

Links:

Organize idéias, conceitos e informações com Mapas Mentais
Fazendo as Idéias Acontecerem
FranklinCovey do Brasil

Livros:

Gerenciando com as Pessoas – Transformando o executivo em um excelente gestor de pessoas, de Idalberto Chiavenato

Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, de Stephen R. Covey – editora: Best Seller

O Oitavo hábito – Da Eficácia à Grandeza,  de Stephen R. Covey

Metodologias Ágeis no Desenvolvimento de Projetos de Software

Este é um artigo técnico, sobre os conceitos usados nas metodologias ágeis e está voltado para gestores de tecnologia da informação, gerentes de projetos de software, arquitetos de software, desenvolvedores, testers e demais interessados no assunto.
Entre os diversos títulos veja, em especial, o quadro comparativo geral entre a abordagem tradicional e a ágil, e o quadro que informa quanto é ideal usar cada uma delas.

“Desenvolvimento ágil é o método de engenharia usado para desenvolver produtos (hardware, software ou serviços) de forma iterativa e incremental com flexibilidade para reagir ao feedback dos clientes. Ele reconhece que as necessidades do cliente e que a especificação do produto final não pode ser totalmente definida a priori. Agile é a antítese do Desenvolvimento Cachoeira.”

Na última empresa que participei como sócio-gestor, nossa estratégia e gestão tinham como objetivo a busca pela excelência e a qualidade total com inovação e melhoria contínua. Concentramos esforços para atender, e até mesmo superar, as expectativas dos clientes, sócio-investidores e colaboradores, onde procurávamos sempre:

  • Utilizar o que havia de melhor em tecnologia da informação para satisfação de nossos clientes, seja no atendimento, seja no fornecimento de produtos e serviços.
  • Manter com os clientes, associados, colaboradores e fornecedores uma relação de alto nível profissional e ético, baseado na integridade, transparência e confiança.
  • Criar um ambiente alegre, saudável e propicio para a realização pessoal e profissional de nossos colaboradores.
  • Contribuir com a sociedade onde atuamos para manter sustentabilidade a longo prazo.

Nos últimos anos em nossa área de sistemas, nossas equipes trabalhavam em: análise de requisitos de negócio; arquitetura de software; design de interfaces visuais com navegabilidade via protótipos; desenvolvimento de código que incluíam testes unitários; testes completos; entrega e suporte técnico ao pessoal de infra-estrutura na implantação; e suporte técnico durante o período de manutenção.

Com certeza não é fácil encontrar a efetividade, ou seja, a eficiência de fazer bem as tarefas utilizando da melhor maneira possível os recursos, somada com a eficácia que busca atingir um excelente resultado.  Entregar no prazo, com qualidade e com todas as funcionalidades do escopo do projeto sempre foi o nosso objetivo, e, além disso, precisávamos encontrar formas de manter as equipes motivadas e os clientes satisfeitos.  Foi assim que resolvemos providenciar uma metodologia própria no desenvolvimento de projetos de software, que aproveitasse o melhor daquilo que havíamos estudado e praticado ao longo do tempo.

Tomamos então por base os princípios das metodologias ágeis, considerando características do SCRUM, FDD (Feature-Driven Development) , XP (eXtreme Programming) e MSF Ágile que é uma versão leve do Microsoft Solution Framework for CMMI (Capability Maturity Model Integration). Também consideramos algumas práticas do padrão PMBoK (Project Management Body of Knowledge) do PMI (Program Management Institute) na gestão dos projetos, e alguns diagramas UML (Unified Modeling Language) para ajudar na interação e coerência entre os requisitos, a modelagem e o sistema.

O desenvolvimento é iterativo, o que permite uma compreensão crescente do problema através de refinamentos sucessivos que nos aproxima da solução. Esta aproximação permite maior flexibilidade para acomodar novos requisitos ou mudanças táticas nos objetivos do negócio além de identificar riscos antecipadamente.

Esta metodologia nos permitiu:

  • Promover a integração constante entre os interessados (stakeholders) e a equipe da empresa, cliente e parceiros – para que as expectativas e necessidades fossem atendidas;
  • Assegurar a mesma visão do projeto e o acompanhamento de seu desenvolvimento por parte de todos os membros da equipe;
  • Contribuir para o posicionamento da empresa no mercado, com mais um diferencial competitivo.

Seguem abaixo três definições que serão úteis no entendimento dos textos apresentados neste documento:

Projeto – É um empreendimento temporário com início e término bem definidos, conduzido por pessoas para atender objetivos dentro de parâmetros de Prazo, Escopo/Qualidade e Custo.

Gestão de Projetos – Combinação de recursos humanos e materiais através de metodologias e técnicas para atender os objetivos de um projeto. Aplicação de conhecimentos, habilidades e técnicas para planejar atividades que visem a atingir os requisitos do projeto.

Metodologia – É um conjunto de técnicas e métodos; é a forma de ordenar e organizar diferentes tarefas; é um mapa de vôo; é o caminho mais inteligente a ser percorrido para alcançar o melhor resultado. É um guia de referência sobre o que deve ser considerado.

A idéia é adotar práticas que ajudaram outros projetos beneficiar o novo projeto.

O Dilema da Construção de Software

Analisando o cenário de projetos da área de Tecnologia da Informação, percebe-se que, mesmo com os esforços e investimentos realizados, as empresas têm falhado sistematicamente na entrega de seus projetos de desenvolvimento de sistemas. Pesquisas apontam diferentes causas para esse insucesso, entre elas, a falta de domínio de métodos e técnicas e/ou a adoção de práticas errôneas de gerenciamento de projetos. Em face dessa situação, verifica-se a existência de uma lacuna entre a necessidade dessas empresas e os resultados práticos de desempenho alcançados. Desse hiato, advém a urgência de se estruturar ou mesmo repensar a disciplina de gerenciamento de projetos clássico, adotado pelas organizações de desenvolvimento de sistemas.

O Agile Project Management ou Gerenciamento Ágil de Projetos – surge como uma solução promissora, com o intuito de melhorar os resultados de desempenho dos projetos de desenvolvimento de sistemas de Tecnologia de Informação.

O problema:

Projetos de software sempre foram marcados por fracassos:

  • Prazos e orçamentos não cumpridos;
  • Expectativas não satisfeitas;
  • Retorno muito menor que o esperado;
  • Impossível satisfazer ao mesmo tempo custo, prazo, escopo e qualidade.

A solução:

Utilizar uma metodologia apropriada para o desenvolvimento de software

  • investindo tempo e recursos em uma fase detalhada de planejamento e design;
  • garantindo o sucesso da execução com gerenciamento e processos bem definidos.

Metodologias tradicionais

Será esta a Solução? Utilizar metodologias tradicionais, como RUP, CMMI, modelos ISO e tantas outras?  Buscar a complexidade, ao invés da simplicidade?

“Uma grande solução para nossos problemas … ou um grande problema para nossas soluções?” Ou devemos ser mais ágeis, utilizando uma metodologia ágil?

Modelagem Ágil – Um apanhado geral por Scott W. Ambler

Modelagem Ágil é uma metodologia baseada na prática para modelagem efetiva de sistemas baseados em software.

A metodologia de Modelagem Ágil é uma coleção de práticas, guiadas por princípios e valores que podem ser aplicados por profissionais de software no dia a dia.

Modelagem Ágil não é um processo prescritivo, ela não define procedimentos detalhados de como criar um dado tipo de modelo, ao invés ela provê conselhos de como ser efetivo como modelador. É “no tato”, e não “pau-na-máquina” – pense em Modelagem Ágil como uma arte, não como uma ciência.

A modelagem Ágil tem três objetivos:

  1. Definir e mostrar como colocar em prática uma coleção de valores, princípios e práticas pertinentes à modelagem efetiva e “peso-leve”.
  2. Explorar como aplicar técnicas de modelagem em projetos de software através de uma abordagem ágil tal como XP, FDD, DSDM ou SCRUM.
  3. Explorar como melhorar a modelagem sob processos prescritivos como o Processo Unificado da Rational (RUP) – atualmente da IBM.

O que são os Modelos Ágeis?

Um modelo ágil é um modelo bom o suficiente, que implica nas seguintes características:

  • Atende seu propósito;
  • É inteligível;
  • É suficientemente preciso;
  • É suficientemente consistente;
  • É suficientemente detalhado;
  • Provê um valor positivo;
  • É tão simples quanto possível.

O que é (e não é) Modelagem Ágil?

  • É uma atitude, não um processo prescritivo;
  • É um suplemento aos métodos existentes, ele não é uma metodologia completa;
  • É uma forma efetiva de se trabalhar em conjunto para atingir as necessidades das partes interessadas no projeto;
  • É efetivo e é sobre ser efetivo;
  • É uma coisa que funciona na prática, não é teoria acadêmica;
  • Não é uma bala de prata;
  • É para o desenvolvedor médio, mas não é um substituto de pessoas competentes;
  • Não é um ataque à documentação, pelo contrário, aconselha a criação de documentos de valor;
  • Não é um ataque às ferramentas CASE;
  • Não é para todos.

Os 12 Princípios da Agilidade

  1. Lembre que a mais alta prioridade é a satisfação do cliente, por meio da liberação mais rápida e contínua de software de valor;
  2. Receba bem as mudanças de requisitos, mesmo em estágios tardios do desenvolvimento. Processos ágeis devem admitir mudanças que trazem vantagens competitivas para o cliente;
  3. Libere software freqüentemente (em intervalos de 2 semanas até 2 meses), dando preferência para uma escala de tempo mais curta;
  4. Mantenha pessoas ligadas ao negócio (cliente) e desenvolvedores trabalhando juntos a maior parte do tempo do projeto;
  5. Construa projetos com indivíduos motivados, dê a eles o ambiente e suporte que precisam e confie neles para ter o trabalho realizado;
  6. O método mais eficiente e efetivo para repassar informação entre uma equipe de desenvolvimento é pela comunicação face-a-face;
  7. Software funcionando é a principal medida de progresso de um projeto de software;
  8. Processos ágeis promovem desenvolvimento sustentado. Assim, patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter conversação pacífica sempre;
  9. A atenção contínua para a excelência técnica e um bom projeto (design) aprimoram a agilidade;
  10. Simplicidade é essencial, devendo ser assumida em todos os aspectos do projeto;
  11. As melhores arquiteturas, requisitos e projetos emergem de equipes auto-organizadas;
  12. Em intervalos regulares, as equipes devem refletir sobre como se tornarem mais efetivas, e então refinarem e ajustarem seu comportamento.

Resumo dos Princípios Centrais da Modelagem Ágil

  • Mudanças são bem-vindas;
  • Capacitar o próximo esforço é seu objetivo secundário;
  • Mudanças incrementais;
  • Maximizar o investimento daqueles que suportam o sistema;
  • Modelar com um propósito;
  • Múltiplos modelos;
  • Trabalho de qualidade;
  • Feedback rápido;
  • Software é seu objetivo primário;
  • Viaje com pouca bagagem.

Resumo dos Princípios Suplementares da Modelagem Ágil

  • Conteúdo é mais importante que Representação (Forma);
  • Todos podem aprender com todos os outros;
  • Conheça seus modelos;
  • Conheça suas ferramentas;
  • Adaptação local;
  • Comunicação aberta e honesta (integridade e transparência);
  • Trabalhe com o instinto das pessoas.

Os Valores da Modelagem Ágil

A serem adotados no Desenvolvimento de Projetos de Software.

Comunicação – Modelos promovem a comunicação entre a equipe de desenvolvimento e os interessados do projeto tão bem quanto entre os desenvolvedores da equipe.

Coragem – Coragem é importante para a tomada de decisões e para permitir a mudança de direção descartando ou refazendo o trabalho quando algumas decisões anteriores foram inadequadas.

Humildade – Os melhores desenvolvedores são humildes o suficiente para reconhecer que não conhecem tudo e que estão sujeitos a falhas e que seus seguidores, líderes e outros interessados no projeto também têm suas áreas de especialidade, e de que testes do código/solução feitos por si e por outros são necessários e fundamentais para a qualidade do desenvolvimento/resultado.  Uma abordagem efetiva é assumir que todos os envolvidos no projeto têm igual valor e, portanto devem ser tratados com respeito. Devemos procurar tratar as opiniões e/ou idéias dos outros como se tivessem maior valor que as nossas. Será mais positivo e produtivo agir com proatividade procurando  criar sinergia e não reação e discórdia.

Simplicidade – É importante aos desenvolvedores entender que modelos são críticos para simplificar o software e os processos de desenvolvimento – é mais fácil explorar uma idéia e melhorá-la conforme seu entendimento aumenta, desenhando um diagrama ou dois ao invés de escrever/estudar dezenas e até mesmo centenas de linha de código.

Retorno (feedback) – É fácil obter feedback para agir quando comunicamos idéias através de diagramas universais, como os da UML.

Os Valores da Aliança Ágil

Adicionalmente aos valores listados acima, a metodologia Modelagem Ágil também adotou os valores da Aliança Ágil. Vide em http://www.agilealliance.org os valores definidos no seu manifesto:

  • Indivíduos e Interações mais que processos e ferramentas;
  • Software operante mais que documentações completas;
  • Colaboração do cliente mais que negociações contratuais;
  • Responder às mudanças mais que seguir um planejamento.

A coisa importante a se entender é que enquanto você deve valorizar os conceitos do lado direito, você deve valorizar ainda mais os itens do lado esquerdo. Uma boa forma de pensar sobre o manifesto é que ele define preferências, não alternativas.

Práticas Centrais da Modelagem Ágil

  • Participação ativa daqueles que suportam o projeto;
  • Aplique os artefatos certos;
  • Propriedade coletiva;
  • Considere a “Testabilidade”;
  • Crie vários modelos em paralelo;
  • Crie conteúdo simples;
  • Represente os modelos de forma simples;
  • Apresente os modelos publicamente;
  • Passe para os outros artefatos;
  • Modele em pequenos incrementos;
  • Modele com os outros;
  • Prove, demonstre com código;
  • Use as ferramentas mais simples.

Práticas Suplementares da Modelagem Ágil

  • Aplique normas de modelagem;
  • Aplique padrões gentilmente;
  • Descarte os modelos temporários;
  • Formalize os modelos de contrato;
  • Modele para comunicar;
  • Modele para entender;
  • Reutilize recursos existentes;
  • Atualize somente quando doer.

Comparativo Geral da Abordagem Tradicional com a Ágil

Abordagem Tradicional  Abordagem Ágil
Preditivo: detalhar o que ainda não é bem conhecido Adaptativo: conhecer problema e resolver o crítico primeiro
Rígido: seguir especificação predefinida, a qualquer custo Flexível: adaptar-se a requisitos atuais, que podem mudar
Burocrático: controlar sempre, para alcançar objetivo planejado Simplista: fazer algo simples de imediato e alterar se necessário
Orientado a processos: segui-los possibilita garantir a qualidade Orientado a pessoas: motivadas comprometidas e produtivas
Documentação gera confiança Comunicação gera confiança
Sucesso = entregar o planejado Sucesso = entregar o desejado
Gerência = “comando-e-controle” voltado para trabalho em massa, ênfase: papel do gerente, com planejamento e disciplina fortes Gerência = liderança/orientação
trabalhadores do conhecimento, ênfase: criatividade, flexibilidade e atenção às pessoas
Desenvolvedor hábil (variedade) Desenvolvedor ágil (colaborador)
Cliente pouco envolvido Cliente comprometido (autonomia)
Requisitos conhecidos, estáveis Requisitos emergentes, mutáveis
Retrabalho/reestruturação caro Retrabalho/reestruturação barata
Planejamento direciona os resultados (incentiva controlar) Resultados direcionam o planejamento (incentiva mudar)
Conjunto de processos, com metodologia definida Conjunto de valores, com atitudes e princípios definidos
Premia a garantia da qualidade Premia o valor rápido obtido
Foco: grandes projetos ou os com restrições de confiabilidade, planej. estratégico / priorização (exigem mais formalismo) Foco: projetos de natureza exploratória e inovadores, com equipes pequenas/médias
(exigem maior adaptação)
Objetivo: controlar, em busca de alcançar o objetivo planejado (tempo, orçamento, escopo) Objetivo: simplificar o processo de desenvolvimento, minimizando e dinamizando tarefas e artefatos

Quando usar qual metodologia

Metodologias Preditivas Metodologias Ágeis
Projetos altamente críticos Projetos pouco críticos
Equipe iniciante Equipe experiente
Projeto com poucas mudanças Projeto com mudanças constantes
Equipes maiores (>= 20 pessoas) Pequena equipe (< 20 pessoas)
Equipe distribuída Equipe co-localizada
Cultura de controle Cultura de adaptação

Pontos positivos e negativos das abordagens

  • Partem de pressupostos diferentes!
  • Podem coexistir e conviver bem em um mesmo ambiente, pois as “boas práticas” são compatíveis e podem funcionar bem, mesmo sem contemplar integralmente um modelo ou norma.
  • Importante: considerar, criteriosamente, o ambiente correto.
  • É necessário buscar o ponto de equilíbrio, avaliando os riscos.

O ciclo de vida ágil é semelhante aos outros

  • Definir o que o cliente quer e iniciar o projeto;
  • Planejar o projeto, calculando esforço;
  • Executar o plano, construindo a solução;
  • Monitorar resultados e entregar ao cliente;
  • Ciclos mais rápidos, executados várias vezes.

O planejamento aperfeiçoa a agilidade. A agilidade dá eficiência ao planejamento.

Manifesto Ágil – par de alternativas se reforçam

  • Processos e ferramentas podem melhor capacitar os indivíduos e interações;
  • Documentação ajuda as pessoas a entenderem um software complexo;
  • Negociação de contrato pode ser parte integrante da colaboração do cliente;
  • Seguir um plano pode ser o melhor modo para responder a mudança, quando esta for previsível.

Observação: Pessoas comprometidas e suas proposições de valor são fundamentais!

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