Empreendedorismo na Campus Party – O que rolou no painel sobre Startups de Tecnologia

“O amor, mais que o conhecimento, é necessário para conduzir a alma dos homens à sua perfeição.” – Irineu de Lyon

Ano após ano, o número de empreendedores que decidem criar um negócio de tecnologia aumenta. Embora boa parte deles possua conhecimentos de programação e de tecnologia, bem como do produto e serviço que pretende levar ao mercado, a maioria dos empreendedores não entende ou pouco entende dos fundamentos para se modelar e criar uma empresa deste tipo.

No dia 10 de fevereiro, no Fórum de Empreendedorismo da Campus Party, eu como facilitador e meus amigos Renato Andrade, Leo Kuba, Nathalie Trutmann e Carlos Eduardo como palestrantes, falamos a uma plateia bastante interessada sobre o tema chave: “Como Criar Startups de Tecnologia no Brasil”. O objetivo foi fornecer em poucos minutos algumas orientações básicas para a modelagem e criação de start-ups de tecnologia.  Cada palestrante falou aproximadamente 10 minutos. A seguir citarei o que foi apresentado por cada um dos palestrantes a partir de resumo que eles me forneceram.

Renato Fonseca de Andrade – O contexto atual do empreendedorismo de Tecnologia no Brasil e porque vale a pena empreender

O Renato é PhD em engenharia de produção pela UFSCar, especialista em inovação, empreendedorismo e redes sociais do Sebrae-SP. Ele nos falou com bastante propriedade que:

“O Brasil é um país marcantemente caracterizado pelo empreendedorismo. Nesse contexto podemos identificar um movimento muito importante voltado para a criação de empresas de tecnologia, ou que têm a inovação como sua competência central. E isso é muito positivo, afinal a inovação está normalmente associada às economias desenvolvidas.

Empreendedores com essa perspectiva de atuação devem aprender cada vez mais a lidar com incertezas, ao mesmo tempo em que operam processos ágeis junto aos seus mercados. Devem também compreender que fazem parte de um ecossistema formado por criativos, desenvolvedores, investidores e negociadores. Isso significa que sua participação nessas redes sociais proporcionam um intenso acesso ao conhecimento, competências e oportunidades.

Atuar nesse universo significa combinar criatividade, técnica, coragem, sociabilidade e foco; que se traduzem em negócios que podem tornar-se líderes de mercado, produzindo riqueza e desenvolvimento para a sociedade.”

Nathalie Trutmann – A Importância de Modelar o Negócio – Criação, Entrega e Captura de Valor

A Nathalie é Diretora de Inovação e coordenadora  do MBA Technology Ventures: Negócios e Empreendedorismo 2.0 da FIAP. Autora da plataforma Brasil20.org, na qual compartilha as histórias inspiradoras de empreendedores brasileiros. Concluiu MBA no INSEAD e graduou-se na University of California.

Ela, com toda sua simpatia e delicadeza, falou sobre trabalhar o Modelo de Negócios em três blocos:

Criar Valor é semelhante a Vender Sonhos , como por exemplo:  Facebook = encontros, Airbnb = viagens e aventuras exóticas, Apple = o belo. É também enxergar oportunidade em mercados com potencial, que hoje são: consumidores via internet, mobilidade, educação, software.  Conforme diz a Revlon: ‘Não vendemos cosméticos vendemos sonhos’.

Capturar Valor é conseguir escala e fazer o negócio bombar. Hoje existem ferramentas para trabalhar o modelo de negócio como BMGen (Business Model Generation) e Lean Startup. Não pense em serviço mas em plataforma de TI, como por exemplo: Wildfire – plataforma de TI para as empresas poderem montar promoções no Facebook.

Entregar Valor é criar mini explosões internas de felicidade. Exemplo Zappos, vide livro: Satisfação Garantida, (Delivering Happiness). Frase de fecho:  ‘O diabo está no detalhe’”

Leo Kuba – Fundamentos de Gestão e Negócios para Empreendedores

O Leo é o fundador e CEO da Inkuba – agência de marketing interativo que cria conceitos, planeja estratégias e produz plataformas e campanhas nos meios digitais. Coapresentador do videocast ‘Man in the arena’, cujos temas são empreendedorismo e cultura digital. Ele nos contou rapidamente sua trajetória e deu algumas dicas:

“Após 15 anos empreendendo, passei por várias fases na vida ‘empreendedora’. Primeiro, na faculdade (fiz Poli-USP), tive a inspiração e vocação de arriscar e empreender. Aprendi que visão e sonho são drivers que impulsionam o dia-a-dia do empreendedor.

Após a validação do negócio, chega a fase de expansão, onde a estruturação do negócio do ponto de vista da gestão se torna muito importante. Entram as atividades necessárias e, muitas vezes chatas para o empreendedor: finanças, contabilidade, jurídico, RH, etc.

Atualmente, acredito que muito se fala sobre os frameworks para validar modelos de negócios, mas quase nada se fala sobre a gestão dos recursos pessoais do empreendedor: foco, energia, disciplina, tempo e atenção (todos são recursos limitados). O empreendedor sempre tem ideias e, com o passar do tempo, o que era uma Startup vira um negócio e aquela motivação inicial pode ceder espaço a rotina. Nessas horas, o impulso de iniciar novos projetos ganham vida. A grande lição para o empreendedor é entender que um grande negócio leva muito tempo para ser construído. Não podemos nos guiar pelas exceções que vemos na mídia e acharmos que seremos o próximo Facebook, Google, etc. Apesar de ter certeza que o Brasil vai gerar alguns negócios globais no meio digital, não aconselho apostar seu futuro num ticket de loteria.

Frases de fecho: ‘O sucesso do dia para noite muitas vezes levou pelo menos dez anos para acontecer’, e ‘Sonhe. Pois muitas vezes seu sonho é que o motivará a levantar e enfrentar vários dos dias difíceis na jornada empreendedora.’”

Lembro-me que o Leo mencionou, e eu concordo, sobre a importância da busca pelo autoconhecimento, necessário ao empreendedor principalmente para lidar com as pessoas e com as circunstâncias que enfrentará no dia-a-dia do negócio.

Carlos Eduardo Guilhaume – Recursos Financeiros e Investidores

O Carlos é diretor executivo e sócio-fundador da Confrapar. Trabalhou em várias empresas de tecnologia tais como Microsoft, Ericsson e Hewlett-Packard. Formado em engenharia elétrica pela UFMG e concluiu MBAs na FGV e IBMEC-RJ. Ele, usando de seus conhecimentos e larga experiência em investimento de risco, procurou falar como alguém que está respondendo a perguntas:

“ 1 – É recomendado a um empreendedor atuar inicialmente em uma Incubadora para reduzir custos com recursos e conseguir apoio/orientações e networking?

As incubadoras são uma ótima alternativa para se reduzir recursos e conseguir apoio para a sua empresa. O único problema das incubadoras, é o tempo pré-definido de incubação, que varia de 1 a 3 anos. Geralmente a inovação que não vai a mercado rápido se perde em menos de 6 meses. Não aconselho nenhuma empresa inovadora a se incubar por períodos superiores a 3 meses. Assim, quando a empresa for graduada, o mercado já mudou.

Uma alternativa às incubadoras, são as aceleradoras, que também trazem apoio e orientações, e tendem a focar na questão do tempo de entrada da inovação no mercado. Algumas exigem uma pequena prticipação no capital da empresa. Algo que vale a pena, uma vez que a aceleradora também busca recursos de fundos de investimento para as empresas.

2 – O que você me diz sobre usar recursos financeiros próprios (bootstraping), 3F (Family, Friends & Fools), ou seja, a família, os amigos e os tolos e reinvestir parte do lucro?

O bootstraping é uma excelente alternativa para empresas que não tem capacidade de se expandir rapidamente com capital. Essa estratégia permite ao empreendedor manter uma participação relevante na empresa, reinvestindo seus lucros. Se a empresa, entretanto, possui capacidade de escalar (crescer) rapidamente, apenas injetando capital, esta passa a ser uma escolha arriscada, pois o concorrente pode levantar recursos e vir a tomar sua posição no mercado.

3 – E sobre Investimento Anjo e outras formas de conseguir dinheiro,  como buscar e apresentar um projeto a um investidor?

O mercado de anjos ainda é pequeno no Brasil. talvez não seja assim tão fácil conseguir apresentar seu projeto a um deles. Faça sua pesquisa. Entre na internet e ache as associações de anjo mais próximas a você. Cada um tem um processo diferente. Veja qual o anjo pode contibuir mais com a empresa. Não é questão apenas de dinheiro. Muitas vezes o anjo agrega a experiência de uma vida inteira de trabalho. Se for na área da empresa, tanto melhor.

4 – O que um investidor considera em uma oportunidade?

Nessa fase de empresa, o investidor buscará uma equipe compromissada e competente. Se essa equipe trouxer um produto ou serviço inovador, com viabilidade, em um mercado que cresce muito, você já sai na frente! “

Ao final do evento, Carlos foi cercado por diversos jovens e forneceu mais dicas importantes, conforme pode ser visto na referência ao artigo do blog do Estadão que consta no final deste artigo.

Nei Grando – Facilitador/Moderador

Um pouco sobre mim, pode ser visto na aba Sobre deste blog. E como facilitador e mediador, também falei um pouco, conforme resumo abaixo:

“Empreender é Ciência e Arte, requer Paixão, Coragem, Determinação e Preparo. O conhecimento prático virá com o tempo, mas o preparo, com fundamentos de negócios – direcionados para empresas de tecnologia – pode acontecer mesmo antes de começar, evitando assim quebras ou grandes dores desnecessárias. É preciso ter três coisas básicas: Mercado (com a escolha do nicho específico e dos segmentos de clientes, buscando conhecer o máximo sobre eles), Equipe (com pessoas competentes, com talentos e experiências complementares, sinergia e proatividade) e Produto (com diferencial competitivo, qualidade, …), Modelar o Negócio, preparar o Pitch (discurso) e as informações necessárias em um plano de negócios, e se necessário buscar um investidor.

Estou feliz em participar deste painel e como gestor e autor do livro colaborativo Empreendedorismo Inovador que tem como sub-título ‘Como Criar Start-ups de Tecnologia no Brasil’, e que segundo a Editora Évora, será lançado até o final de abril. Cinco dos 23 autores estão aqui neste evento. Houve sinergia entre os autores, o conteúdo está muito rico e conta com o estilo e as histórias de cada um, ou seja, mesmo com aproximadamente 500 páginas, será uma leitura agradável, um verdadeiro manual para empreendedores desta área com uma leitura prazerosa e cheia de preciosidades. Seu conteúdo e referências é como um ‘MBA’, não voltado para gestores de empresas de porte e multinacionais, mas sim voltado à realidade das Startups e PMEs.”

“Não permitas que o ruído das opiniões dos outros abafe a tua voz interior. Tem a coragem de seguir o teu coração e a tua intuição” – Steve Jobs

Concluo este artigo com esta mensagem:

Steve Jobs, Bill Gates e outros grandes Empreendedores Inovadores também foram Nerds ou Geeks um dia. É preciso por os sonhos no papel, planejar e executar. E isso é atitude. O sucesso vem com o tempo.

Abaixo temos um vídeo com a parte inicial das palestras apresentadas na Campus Party.

Meu endereço no Twitter é: @neigrando ou clique aqui para entrar em contato.

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