A Bolsa de Valores, você, as empresas e o Brasil

Durante alguns anos atuei com as equipes da minha empresa desenvolvendo soluções de software e serviços para o mercado de capitais, em especial o Home Broker, que possibilita a pessoas físicas obterem cotações e negociarem na Bolsa de Valores via Web. Dentre as empresas clientes destaco a Ágora, adquirida pelo grupo Bradesco, que foi sócia de minha empresa entre 2005 e 2009. Tenho certeza que a maioria das transações financeiras executadas na Bolsa trafega utilizando algum código de software desenvolvido por nós. Atualmente utilizo Home Broker como usuário para investir em ações de algumas empresas presentes na BM&F Bovespa.

Não tenho dúvidas sobre a importância da Bolsa de Valores na economia de um país, pois tirando os excessos especulativos de alguns investidores que a utilizam apenas como um jogo para obter ganhos imediatos, os benefícios dela para as empresas sérias e para os investidores conservadores podem ser vistos claramente pela rentabilidade que ela proporcionou ao longo dos últimos anos. Tais investimentos aceleram a atuação das empresas no mercado e conseqüentemente melhoram a economia do país.

Pensando mais no valor real da empresa do que apenas no preço atual das ações dela no mercado, você verá que investir numa empresa presente na Bolsa de Valores é um ótimo negócio, pois você passa a ser sócio da mesma e nem precisa trabalhar nela para poder participar da valorização e dos lucros.  Você compra ações de uma destas empresas através de uma Corretora de Valores usando ferramentas Web online como o Home Broker.

A grande vantagem para as empresas que abrem o capital é que conseguem recursos para sua atividade diretamente dos investidores, dependendo muito menos de empréstimos junto a bancos ou outras instituições financeiras que cobram juros abusivos, além disso, as empresas de capital aberto são mais transparentes e são obrigadas a buscar melhor governança corporativa.

Além da rentabilidade proporcionada, a grande vantagem de investir em ações, ao invés de investir em imóveis, por exemplo, é a liquidez, ou seja, você pode transformar ações em dinheiro em poucas horas.

Na revista Exame, edição 974 de 25/8/2010, a reportagem de capa, que está contida no Guia “Exame Investimentos Pessoais 2010”, fala do poder de atração da bolsa e afirma que: “Nos próximos cinco anos, mais de 4 milhões de investidores estarão entrando no mercado de ações brasileiro, segundo a BM&F Bovespa”.  A revista ainda diz que a BM&F Bovespa é a bolsa que cresce mais rápido em número de investidores no mundo. Atualmente, no Brasil temos apenas 464 empresas na Bolsa com aproximadamente 600 mil investidores individuais,  ou seja, cerca de 0,3% de nossa população, enquanto que em mercados maduros como o americano, mais da metade das famílias é dona de ações. Pelos cálculos da BM&F Bovespa, 200 empresas de porte médio têm potencial para estrear na bolsa de valores até o final de 2014.

Segue algumas dicas para início de investimentos em ações na Bolsa de Valores:

1 – Obtenha informações e adquira conhecimento sobre o assunto. Leia pelo menos um livro, acompanhe noticiários sobre economia e finanças, etc. Lembre-se que em todo e qualquer investimento existem riscos e a informação é muito importante para mitigar riscos e aumentar as possibilidades de ganhos;

2 – Para pequenas quantias (inferiores a R$ 5.000,00) utilize caderneta de poupança, fundos de renda fixa ou fundos de ações;

3 – Se decidir por investir em ações comece devagar, com um percentual pequeno do patrimônio e mesmo com experiência nunca coloque todo o seu dinheiro em renda variável, conserve sempre uma boa reserva em renda fixa;

4 – Inicialmente procure ter uma carteira de ações diversificada, com pelo menos cinco empresas de setores diferentes da economia, para balancear o investimento e não mais que dez empresas para não dificultar a análise e gestão.

5 – Visite o site da BM&F Bovespa em: http://www.bmfbovespa.com.br e entre nas abas/links: Educacional -> Para iniciantes -> Mercado de Ações;

6 – Não deixe de ver os links no final do artigo, pois tem informações de muito valor para quem quer investir.

E lembre que para investir em ações é preciso ter sangue frio e paciência, pensar e investir a médio e longo prazo, procurando aprender a diferença entre valor da empresa e preço de mercado da mesma.

Gosto dos concelhos que Warren Buffed dá aos Jovens, mas que também servem para os adultos:

1 – Fique longe de cartões de crédito e empréstimos bancários, invista o seu dinheiro em você mesmo, e lembre-se:

  • O dinheiro não cria o homem, mas é o homem quem criou o dinheiro.
  • Viva a sua vida da maneira mais simples possível.
  • Não faça o que os outros dizem – ouça-os, mas faça aquilo que você se sente bem ao fazer.
  • Não se apegue às grifes famosas; use apenas aquelas coisas em que você se sinta confortável.
  • Não desperdice o seu dinheiro em coisas desnecessárias; ao invés disto, gaste nas coisas que realmente precisa.
  • Afinal de contas, a vida é sua! Então, por que permitir que os outros estabeleçam leis em sua vida?

2 – As pessoas mais felizes não têm, necessariamente, as ‘melhores’ coisas. Elas simplesmente apreciam aquilo que têm.

Por favor, fique a vontade de contribuir com um comentário e compartilhar este artigo com seus amigos.

Meu endereço no Twitter é: @neigrando –  www.twitter.com/neigrando

Links:

www.bmfbovespa.com.br – BM&F Bovespa

www.simulacaobmfbovespa.com.br – Conheça o SimulAção. O simulador da Bolsa com jeito de homebroker

www.agorainvest.com.br – Ágora – Corretora de Valores Mobiliários

www.valoronline.com.br – Notícias sobre o mercado financeiro

http://br.finance.yahoo.com – Notícias, cotações e outras informações sobre o mercado financeiro

http://br.reuters.com – Reuters Brasil – Notícias do mercado de capitais brasileiro e mundial

www.bloomberg.com – Bloomberg – Notícias mundiais sobre mercado de capitais (em inglês)

http://br.advfn.com – Análise do mercado

www.youtube.com/watch?v=6gqX4ameJSI&feature=player_embedded# – Vídeo sobre como investir produzido pela CVM. Reportagem de Adriana Souza e Silva. Veja mais no site http://www.portaldoinvestidor.gov.br

http://www.tveducacaofinanceira.com.br/episodios.asp?IDVideo=TVEF_Episodio16 – Vídeo de: 21/11/2009 com 12 minutos de duração que mostra como funciona a Bolsa e o mercado de ações.

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/bolsa_valores/index.shtml – Perguntas & Respostas – Como investir na Bolsa de Valores

www.comoinvestir.com.br/acoes/como-escolher/acoes-para-voce/Paginas/default.aspx – Ações para você

http://jovemmilionario.wordpress.com – Blog com excelentes artigos sobre educação financeira

www.scribd.com/doc/4566394/Investimentos-Os-segredos-de-George-Soros-Warren-Buffet

www.fundamentus.com.br/pagina_do_ser/EnsaiosdeBuffet.htm – Diversos artigos sobre análise fundamentalista

www.bmfbovespa.com.br/Pdf/merccap.pdf – Apostila da Bovespa sobre Mercado de Capitais

http://economia.uol.com.br/financas – Site da UOL sobre Finanças Pessoais

Livros:

Investindo em Ações – Os Primeiros Passos – As dicas do Sr. Alceu, José Godoy, Luiz Gustavo Medina, Marco Antônio Gazel Junior- Editora Saraiva

Bem vindo à Bolsa de Valores , Marcelo Piazza – Editora Saraiva

O Mercado de Ações em 25 Episódios, Paulo Portinho – Editora Campus

Warren Buffett – Lições do maior de todos os investidores, Janet Lowe – Editora Campus

O TAO de Warren Buffett – Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimento do gênio das finanças em sua vida, Mary Buffett e David Clark – Editora Sextante

Ganhe mais Investindo em Opções, Marcelo Piazza – Editora Saraiva (para quem já investe em ações e quer aumentar a rentabilidade da carteira)

Anúncios

A Adoção do Software como Serviço

Este é um artigo sobre negócios e tecnologia da informação que escrevi no final do ano passado e está voltado para gestores de TI e de Negócios de empresas de pequeno e médio porte.

Na última empresa que atuei como empresário e gestor na área de tecnologia da informação, tive a oportunidade de desenvolver, com minhas equipes, produtos de software que podiam ser hospedados em datacenter e acessados remotamente via web como ferramentas  GED,  CRM e de Gerenciamentos de Campanhas de marketing digital. Fomos uma das primeiras empresas brasileiras de TI a desenvolver este tipo de solução porque acreditávamos neste modelo de fornecimento de software como serviço, no início tais soluções eram chamadas de ASP (Application Services Provider), o conceito foi ampliado e atualmente chamam de Computação nas Núvens (cloud computing) . Procuro descrever as vantagens do SaaS resumidamente a seguir:

O uso de softwares como serviço (SaaS, do inglês Software-as-a-Service) – sistema semelhante a um aluguel para uso do software sem necessidade de compra da licença – deve movimentar em 2009 cerca de US$ 9,6 milhões na economia global, segundo estudo do Gartner, líder mundial em pesquisa sobre tecnologia. Esse valor representa um crescimento de 21,9% em relação ao total movimentado em 2008. Entre as principais razões desse salto estão a redução de custos, ganhos de velocidade e vantagem competitiva que a alternativa tecnológica permite às organizações.

Esse modelo de disponibilização de softwares, quase sempre de aplicações web online, revela-se atraente para pequenas e médias empresas, especialmente por unir os serviços tradicionais de software e serviços de venda sob demanda pela internet.

O pacote de SaaS inclui a possibilidade de contratação de uma infraestrutura terceirizada de servidores, reduzindo os gastos das empresas com sistemas próprios, principalmente no que se refere à manutenção. Ou seja, a redução de custos impacta não apenas a aquisição e disponibilização de servidores, sistemas operacionais e gerenciadores de bancos de dados, mas também a contratação de pessoal especializado para a operação, espaço físico com ambiente seguro, de alta disponibilidade e instalações adequadas.

É razoável supor que a parte que cabe ao software na contratação do conjunto de serviços represente o valor mensal de cerca de 2 a 3% do investimento necessário para a aquisição do software.

Além da infraestrutura servidora de hardware e software ficar hospedada no datacenter do provedor de serviços e disponível para acesso pela internet, a manutenção do sistema e os upgrades são realizados sem impactos para os usuários. Serviços adicionais de operação, backup e segurança estão incluídos no pacote de aluguel.

É importante que a empresa contratante identifique as suas reais necessidades e defina os requisitos e as funcionalidades de softwares e dos serviços, podendo assim justificar sua escolha pelo SaaS. A tabela abaixo apresenta algumas das motivações corretas e outras erradas na escolha desta modalidade: 

Razões Corretas Razões Erradas
Reduzir o TCO (total cost of ownership) ou Custo Total de Propriedade. Pagar mais barato pelo software.
Manter o foco no principal negócio da empresa. Ficar livre do problema.
Terceirizar a solução dos problemas para uma equipe especializada. Terceirizar a “identificação” dos problemas para o provedor do serviço.
Ter uma equipe de especialistas em cada tipo de aplicativo. Delegar ao provedor do serviço a identificação de suas necessidades.

Nas principais aplicações de gestão corporativa (ERP, CRM e GED), essa modalidade pode representar uma redução de até 30% no custo total de propriedade do software, que engloba a aquisição convencional de hardware e licenças; manutenção dessa infraestrutura e evolução do sistema, de acordo com estudo da consultoria McKinsey & Company.

Apesar dos benefícios serem mais valorizados pelas empresas de menor porte, grandes corporações vêem nessa modalidade a vantagem de terceirizar alguns serviços que não são fundamentais para a manutenção de sua competitividade. Esse é o caso principalmente de aplicações de GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos). Esse tipo de solução tem como principais atributos o armazenamento e a recuperação rápida de documentos eletrônicos. Junto com o software, também pode ser contratado o serviço de digitalização de documentos (notas fiscais, contratos e documentos cadastrais, por exemplo), a manutenção dos arquivos físicos e a guarda externa.

Mesmo com a cultura verticalizada ainda dominante nas pequenas e médias empresas brasileiras, o País dá seus primeiros passos nesse mercado. Na medida em que os gestores conhecerem melhor as inúmeras vantagens da mudança e entenderem que não há riscos adicionais no fato de ter o sistema e seus dados armazenados fora da empresa, seguramente esse modelo de terceirização de recursos de TI vai se tornar cada vez mais popular também por aqui.

Afinal, como o SaaS surge como alternativa para a aquisição de soluções sob demanda com investimento diluído, faz todo o sentido que os empreendedores brasileiros também se aproveitem de suas vantagens para diminuir seus custos.

Observação: Este texto foi baseado no artigo que escrevi e que escrevi em julho de 2009, com apoio da SP4 Comunicação Corporativa.  Foi publicado no Portal Document Management (10 de agosto), e no B2B (31 de julho).

Por favor, fique a vontade de contribuir com um comentário e compartilhar este artigo com seus amigos.

Meu endereço no Twitter é: @neigrando –  www.twitter.com/neigrando

Alguns links relacionados com o assunto:

http://www.tiinside.com.br/16/06/2010/empresas-precisam-avaliar-adocao-de-saas-diz-gartner/ti/186035/news.aspx – Empresas precisam avaliar adoção de SaaS, diz Gartner

http://blogs.msdn.com/b/wcamb/archive/2008/03/09/saas-software-as-a-service-uma-vis-o-sobre-o-software-como-servi-o.aspx – SaaS – Software as a Service – Uma visão sobre o software como serviço.

O processo de coaching no mundo dos negócios

Até pouco tempo atuei como empresário na área de tecnologia da informação, especialmente com mercado de capitais, gestão de conhecimento, portais, CRM e marketing digital. Sempre gostei de tecnologia; depois fui aprendendo sobre negócios, administração/marketing e, nos últimos tempos, considerei e estudei muito as questões de liderança e de gestão, especialmente das pessoas com quem me relacionei em meu trabalho. Recentemente, tive a oportunidade de conhecer mais a respeito dos conceitos e técnicas da Terapia Cognitiva e também fiz cursos de Coaching Cognitivo no ITC.  Quero enfatizar que, conforme a Dra. Ana Maria Serra, o Coaching Cognitivo não se trata de fazer terapia no contexto do coaching, mas sim de utilizar o modelo cognitivo de funcionamento humano, incluindo técnicas e estratégias cognitivas, no gerenciamento de questões corporativas. O coaching vem auxiliar os executivos e as corporações em tempos normais e principalmente em tempos de crise, sejam estes envolvendo problemas de finanças e economia externa ou interna, situações de fusões e aquisições e outras mudanças organizacionais cada vez mais comuns nos dias atuais.

Meu objetivo ao fazer o curso não foi me capacitar para me tornar um profissional de coaching, mas sim de conhecer os conceitos, técnicas e práticas envolvidas, para apoio não só de minhas buscas de crescimento pessoal e profissional, mas também para poder atuar melhor junto às equipes e colaboradores de minha empresa, parceiros comerciais e clientes.

Aprendi então que o Coaching Cognitivo tem como objetivo último promover a realização máxima das potencialidades dos sujeitos envolvidos, em seu processo de crescimento e ajustamento pessoal, profissional e corporativo; e que, durante o processo, o coach trabalha junto ao executivo procurando identificar necessidades relacionadas à produtividade e desempenho pessoal dele próprio e da sua equipe; definir um plano de ação e mudança que inclua objetivos, metas, estratégias e recursos; implementar esse plano de mudança, monitorar resultados, e promover a manutenção dos resultados, ao mesmo tempo em que desenvolve as suas habilidades de comunicação e resolução de problemas e atua sobre sua forma de processar a informação.

Para isso, o coach cognitivo utiliza técnicas como: uma postura atenta e empática; rapport baseado em confiança e contato genuíno; questionamento socrático usando perguntas construtivas;  processo colaborativo com o cliente; identificação dos recursos e potenciais do cliente; uso eficaz da linguagem e da comunicação; além da atenção aos esquemas ou modelos mentais e aos pensamentos automáticos negativos.  Vi que tais técnicas, quando aliadas aos conhecimentos dos princípios básicos da terapia cognitiva, que nos ensina a identificar nas emoções e comportamentos as cognições que as precedem, podem ajudar muito o executivo a melhorar a percepção da realidade que envolve a tríade do eu, do mundo e do futuro e com isso fazer as mudanças necessárias, tomar melhores decisões, resolver seus problemas, e, ao mesmo tempo, utilizar melhor suas competências e seus potenciais.

Observação: Este texto foi baseado no artigo que escrevi para o Informativo da ABPC – Associação Brasileira de Psicoterapia Cognitiva: “A Terapia Cognitiva e o Coaching Executivo” – impresso em Outubro de 2009.

Clique aqui para entrar em contato comigo.

Por favor, fique a vontade de contribuir com um comentário e compartilhar este artigo com seus amigos.

Meu endereço no Twitter é: @neigrando –  www.twitter.com/neigrando

Alguns Livros relacionados ao assunto:

As 10 bobagens mais comuns que as pessoas inteligentes cometem e técnicas eficazes para evitá-las, de Arthur Freeman e RoseDeWolf – Prefácio de Aaron T. Beck – Editora Guarda Chuva

Como lidar com as preocupações, de Robert L. Leahy – Editora Artmed

Aprenda a ser Otimista, Martin E.P. Seligman – Editora Nova Era

Outros Livros:

Pergunte a Platão, de Lou Marinoff – Editora Record. Sobre o uso Prático da Filosofia.

Seja Assertivo, de Vera Martins – Editora Campus.

Metodologias Ágeis no Desenvolvimento de Projetos de Software

Este é um artigo técnico, sobre os conceitos usados nas metodologias ágeis e está voltado para gestores de tecnologia da informação, gerentes de projetos de software, arquitetos de software, desenvolvedores, testers e demais interessados no assunto.
Entre os diversos títulos veja, em especial, o quadro comparativo geral entre a abordagem tradicional e a ágil, e o quadro que informa quanto é ideal usar cada uma delas.

“Desenvolvimento ágil é o método de engenharia usado para desenvolver produtos (hardware, software ou serviços) de forma iterativa e incremental com flexibilidade para reagir ao feedback dos clientes. Ele reconhece que as necessidades do cliente e que a especificação do produto final não pode ser totalmente definida a priori. Agile é a antítese do Desenvolvimento Cachoeira.”

Na última empresa que participei como sócio-gestor, nossa estratégia e gestão tinham como objetivo a busca pela excelência e a qualidade total com inovação e melhoria contínua. Concentramos esforços para atender, e até mesmo superar, as expectativas dos clientes, sócio-investidores e colaboradores, onde procurávamos sempre:

  • Utilizar o que havia de melhor em tecnologia da informação para satisfação de nossos clientes, seja no atendimento, seja no fornecimento de produtos e serviços.
  • Manter com os clientes, associados, colaboradores e fornecedores uma relação de alto nível profissional e ético, baseado na integridade, transparência e confiança.
  • Criar um ambiente alegre, saudável e propicio para a realização pessoal e profissional de nossos colaboradores.
  • Contribuir com a sociedade onde atuamos para manter sustentabilidade a longo prazo.

Nos últimos anos em nossa área de sistemas, nossas equipes trabalhavam em: análise de requisitos de negócio; arquitetura de software; design de interfaces visuais com navegabilidade via protótipos; desenvolvimento de código que incluíam testes unitários; testes completos; entrega e suporte técnico ao pessoal de infra-estrutura na implantação; e suporte técnico durante o período de manutenção.

Com certeza não é fácil encontrar a efetividade, ou seja, a eficiência de fazer bem as tarefas utilizando da melhor maneira possível os recursos, somada com a eficácia que busca atingir um excelente resultado.  Entregar no prazo, com qualidade e com todas as funcionalidades do escopo do projeto sempre foi o nosso objetivo, e, além disso, precisávamos encontrar formas de manter as equipes motivadas e os clientes satisfeitos.  Foi assim que resolvemos providenciar uma metodologia própria no desenvolvimento de projetos de software, que aproveitasse o melhor daquilo que havíamos estudado e praticado ao longo do tempo.

Tomamos então por base os princípios das metodologias ágeis, considerando características do SCRUM, FDD (Feature-Driven Development) , XP (eXtreme Programming) e MSF Ágile que é uma versão leve do Microsoft Solution Framework for CMMI (Capability Maturity Model Integration). Também consideramos algumas práticas do padrão PMBoK (Project Management Body of Knowledge) do PMI (Program Management Institute) na gestão dos projetos, e alguns diagramas UML (Unified Modeling Language) para ajudar na interação e coerência entre os requisitos, a modelagem e o sistema.

O desenvolvimento é iterativo, o que permite uma compreensão crescente do problema através de refinamentos sucessivos que nos aproxima da solução. Esta aproximação permite maior flexibilidade para acomodar novos requisitos ou mudanças táticas nos objetivos do negócio além de identificar riscos antecipadamente.

Esta metodologia nos permitiu:

  • Promover a integração constante entre os interessados (stakeholders) e a equipe da empresa, cliente e parceiros – para que as expectativas e necessidades fossem atendidas;
  • Assegurar a mesma visão do projeto e o acompanhamento de seu desenvolvimento por parte de todos os membros da equipe;
  • Contribuir para o posicionamento da empresa no mercado, com mais um diferencial competitivo.

Seguem abaixo três definições que serão úteis no entendimento dos textos apresentados neste documento:

Projeto – É um empreendimento temporário com início e término bem definidos, conduzido por pessoas para atender objetivos dentro de parâmetros de Prazo, Escopo/Qualidade e Custo.

Gestão de Projetos – Combinação de recursos humanos e materiais através de metodologias e técnicas para atender os objetivos de um projeto. Aplicação de conhecimentos, habilidades e técnicas para planejar atividades que visem a atingir os requisitos do projeto.

Metodologia – É um conjunto de técnicas e métodos; é a forma de ordenar e organizar diferentes tarefas; é um mapa de vôo; é o caminho mais inteligente a ser percorrido para alcançar o melhor resultado. É um guia de referência sobre o que deve ser considerado.

A idéia é adotar práticas que ajudaram outros projetos beneficiar o novo projeto.

O Dilema da Construção de Software

Analisando o cenário de projetos da área de Tecnologia da Informação, percebe-se que, mesmo com os esforços e investimentos realizados, as empresas têm falhado sistematicamente na entrega de seus projetos de desenvolvimento de sistemas. Pesquisas apontam diferentes causas para esse insucesso, entre elas, a falta de domínio de métodos e técnicas e/ou a adoção de práticas errôneas de gerenciamento de projetos. Em face dessa situação, verifica-se a existência de uma lacuna entre a necessidade dessas empresas e os resultados práticos de desempenho alcançados. Desse hiato, advém a urgência de se estruturar ou mesmo repensar a disciplina de gerenciamento de projetos clássico, adotado pelas organizações de desenvolvimento de sistemas.

O Agile Project Management ou Gerenciamento Ágil de Projetos – surge como uma solução promissora, com o intuito de melhorar os resultados de desempenho dos projetos de desenvolvimento de sistemas de Tecnologia de Informação.

O problema:

Projetos de software sempre foram marcados por fracassos:

  • Prazos e orçamentos não cumpridos;
  • Expectativas não satisfeitas;
  • Retorno muito menor que o esperado;
  • Impossível satisfazer ao mesmo tempo custo, prazo, escopo e qualidade.

A solução:

Utilizar uma metodologia apropriada para o desenvolvimento de software

  • investindo tempo e recursos em uma fase detalhada de planejamento e design;
  • garantindo o sucesso da execução com gerenciamento e processos bem definidos.

Metodologias tradicionais

Será esta a Solução? Utilizar metodologias tradicionais, como RUP, CMMI, modelos ISO e tantas outras?  Buscar a complexidade, ao invés da simplicidade?

“Uma grande solução para nossos problemas … ou um grande problema para nossas soluções?” Ou devemos ser mais ágeis, utilizando uma metodologia ágil?

Modelagem Ágil – Um apanhado geral por Scott W. Ambler

Modelagem Ágil é uma metodologia baseada na prática para modelagem efetiva de sistemas baseados em software.

A metodologia de Modelagem Ágil é uma coleção de práticas, guiadas por princípios e valores que podem ser aplicados por profissionais de software no dia a dia.

Modelagem Ágil não é um processo prescritivo, ela não define procedimentos detalhados de como criar um dado tipo de modelo, ao invés ela provê conselhos de como ser efetivo como modelador. É “no tato”, e não “pau-na-máquina” – pense em Modelagem Ágil como uma arte, não como uma ciência.

A modelagem Ágil tem três objetivos:

  1. Definir e mostrar como colocar em prática uma coleção de valores, princípios e práticas pertinentes à modelagem efetiva e “peso-leve”.
  2. Explorar como aplicar técnicas de modelagem em projetos de software através de uma abordagem ágil tal como XP, FDD, DSDM ou SCRUM.
  3. Explorar como melhorar a modelagem sob processos prescritivos como o Processo Unificado da Rational (RUP) – atualmente da IBM.

O que são os Modelos Ágeis?

Um modelo ágil é um modelo bom o suficiente, que implica nas seguintes características:

  • Atende seu propósito;
  • É inteligível;
  • É suficientemente preciso;
  • É suficientemente consistente;
  • É suficientemente detalhado;
  • Provê um valor positivo;
  • É tão simples quanto possível.

O que é (e não é) Modelagem Ágil?

  • É uma atitude, não um processo prescritivo;
  • É um suplemento aos métodos existentes, ele não é uma metodologia completa;
  • É uma forma efetiva de se trabalhar em conjunto para atingir as necessidades das partes interessadas no projeto;
  • É efetivo e é sobre ser efetivo;
  • É uma coisa que funciona na prática, não é teoria acadêmica;
  • Não é uma bala de prata;
  • É para o desenvolvedor médio, mas não é um substituto de pessoas competentes;
  • Não é um ataque à documentação, pelo contrário, aconselha a criação de documentos de valor;
  • Não é um ataque às ferramentas CASE;
  • Não é para todos.

Os 12 Princípios da Agilidade

  1. Lembre que a mais alta prioridade é a satisfação do cliente, por meio da liberação mais rápida e contínua de software de valor;
  2. Receba bem as mudanças de requisitos, mesmo em estágios tardios do desenvolvimento. Processos ágeis devem admitir mudanças que trazem vantagens competitivas para o cliente;
  3. Libere software freqüentemente (em intervalos de 2 semanas até 2 meses), dando preferência para uma escala de tempo mais curta;
  4. Mantenha pessoas ligadas ao negócio (cliente) e desenvolvedores trabalhando juntos a maior parte do tempo do projeto;
  5. Construa projetos com indivíduos motivados, dê a eles o ambiente e suporte que precisam e confie neles para ter o trabalho realizado;
  6. O método mais eficiente e efetivo para repassar informação entre uma equipe de desenvolvimento é pela comunicação face-a-face;
  7. Software funcionando é a principal medida de progresso de um projeto de software;
  8. Processos ágeis promovem desenvolvimento sustentado. Assim, patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter conversação pacífica sempre;
  9. A atenção contínua para a excelência técnica e um bom projeto (design) aprimoram a agilidade;
  10. Simplicidade é essencial, devendo ser assumida em todos os aspectos do projeto;
  11. As melhores arquiteturas, requisitos e projetos emergem de equipes auto-organizadas;
  12. Em intervalos regulares, as equipes devem refletir sobre como se tornarem mais efetivas, e então refinarem e ajustarem seu comportamento.

Resumo dos Princípios Centrais da Modelagem Ágil

  • Mudanças são bem-vindas;
  • Capacitar o próximo esforço é seu objetivo secundário;
  • Mudanças incrementais;
  • Maximizar o investimento daqueles que suportam o sistema;
  • Modelar com um propósito;
  • Múltiplos modelos;
  • Trabalho de qualidade;
  • Feedback rápido;
  • Software é seu objetivo primário;
  • Viaje com pouca bagagem.

Resumo dos Princípios Suplementares da Modelagem Ágil

  • Conteúdo é mais importante que Representação (Forma);
  • Todos podem aprender com todos os outros;
  • Conheça seus modelos;
  • Conheça suas ferramentas;
  • Adaptação local;
  • Comunicação aberta e honesta (integridade e transparência);
  • Trabalhe com o instinto das pessoas.

Os Valores da Modelagem Ágil

A serem adotados no Desenvolvimento de Projetos de Software.

Comunicação – Modelos promovem a comunicação entre a equipe de desenvolvimento e os interessados do projeto tão bem quanto entre os desenvolvedores da equipe.

Coragem – Coragem é importante para a tomada de decisões e para permitir a mudança de direção descartando ou refazendo o trabalho quando algumas decisões anteriores foram inadequadas.

Humildade – Os melhores desenvolvedores são humildes o suficiente para reconhecer que não conhecem tudo e que estão sujeitos a falhas e que seus seguidores, líderes e outros interessados no projeto também têm suas áreas de especialidade, e de que testes do código/solução feitos por si e por outros são necessários e fundamentais para a qualidade do desenvolvimento/resultado.  Uma abordagem efetiva é assumir que todos os envolvidos no projeto têm igual valor e, portanto devem ser tratados com respeito. Devemos procurar tratar as opiniões e/ou idéias dos outros como se tivessem maior valor que as nossas. Será mais positivo e produtivo agir com proatividade procurando  criar sinergia e não reação e discórdia.

Simplicidade – É importante aos desenvolvedores entender que modelos são críticos para simplificar o software e os processos de desenvolvimento – é mais fácil explorar uma idéia e melhorá-la conforme seu entendimento aumenta, desenhando um diagrama ou dois ao invés de escrever/estudar dezenas e até mesmo centenas de linha de código.

Retorno (feedback) – É fácil obter feedback para agir quando comunicamos idéias através de diagramas universais, como os da UML.

Os Valores da Aliança Ágil

Adicionalmente aos valores listados acima, a metodologia Modelagem Ágil também adotou os valores da Aliança Ágil. Vide em http://www.agilealliance.org os valores definidos no seu manifesto:

  • Indivíduos e Interações mais que processos e ferramentas;
  • Software operante mais que documentações completas;
  • Colaboração do cliente mais que negociações contratuais;
  • Responder às mudanças mais que seguir um planejamento.

A coisa importante a se entender é que enquanto você deve valorizar os conceitos do lado direito, você deve valorizar ainda mais os itens do lado esquerdo. Uma boa forma de pensar sobre o manifesto é que ele define preferências, não alternativas.

Práticas Centrais da Modelagem Ágil

  • Participação ativa daqueles que suportam o projeto;
  • Aplique os artefatos certos;
  • Propriedade coletiva;
  • Considere a “Testabilidade”;
  • Crie vários modelos em paralelo;
  • Crie conteúdo simples;
  • Represente os modelos de forma simples;
  • Apresente os modelos publicamente;
  • Passe para os outros artefatos;
  • Modele em pequenos incrementos;
  • Modele com os outros;
  • Prove, demonstre com código;
  • Use as ferramentas mais simples.

Práticas Suplementares da Modelagem Ágil

  • Aplique normas de modelagem;
  • Aplique padrões gentilmente;
  • Descarte os modelos temporários;
  • Formalize os modelos de contrato;
  • Modele para comunicar;
  • Modele para entender;
  • Reutilize recursos existentes;
  • Atualize somente quando doer.

Comparativo Geral da Abordagem Tradicional com a Ágil

Abordagem Tradicional  Abordagem Ágil
Preditivo: detalhar o que ainda não é bem conhecido Adaptativo: conhecer problema e resolver o crítico primeiro
Rígido: seguir especificação predefinida, a qualquer custo Flexível: adaptar-se a requisitos atuais, que podem mudar
Burocrático: controlar sempre, para alcançar objetivo planejado Simplista: fazer algo simples de imediato e alterar se necessário
Orientado a processos: segui-los possibilita garantir a qualidade Orientado a pessoas: motivadas comprometidas e produtivas
Documentação gera confiança Comunicação gera confiança
Sucesso = entregar o planejado Sucesso = entregar o desejado
Gerência = “comando-e-controle” voltado para trabalho em massa, ênfase: papel do gerente, com planejamento e disciplina fortes Gerência = liderança/orientação
trabalhadores do conhecimento, ênfase: criatividade, flexibilidade e atenção às pessoas
Desenvolvedor hábil (variedade) Desenvolvedor ágil (colaborador)
Cliente pouco envolvido Cliente comprometido (autonomia)
Requisitos conhecidos, estáveis Requisitos emergentes, mutáveis
Retrabalho/reestruturação caro Retrabalho/reestruturação barata
Planejamento direciona os resultados (incentiva controlar) Resultados direcionam o planejamento (incentiva mudar)
Conjunto de processos, com metodologia definida Conjunto de valores, com atitudes e princípios definidos
Premia a garantia da qualidade Premia o valor rápido obtido
Foco: grandes projetos ou os com restrições de confiabilidade, planej. estratégico / priorização (exigem mais formalismo) Foco: projetos de natureza exploratória e inovadores, com equipes pequenas/médias
(exigem maior adaptação)
Objetivo: controlar, em busca de alcançar o objetivo planejado (tempo, orçamento, escopo) Objetivo: simplificar o processo de desenvolvimento, minimizando e dinamizando tarefas e artefatos

Quando usar qual metodologia

Metodologias Preditivas Metodologias Ágeis
Projetos altamente críticos Projetos pouco críticos
Equipe iniciante Equipe experiente
Projeto com poucas mudanças Projeto com mudanças constantes
Equipes maiores (>= 20 pessoas) Pequena equipe (< 20 pessoas)
Equipe distribuída Equipe co-localizada
Cultura de controle Cultura de adaptação

Pontos positivos e negativos das abordagens

  • Partem de pressupostos diferentes!
  • Podem coexistir e conviver bem em um mesmo ambiente, pois as “boas práticas” são compatíveis e podem funcionar bem, mesmo sem contemplar integralmente um modelo ou norma.
  • Importante: considerar, criteriosamente, o ambiente correto.
  • É necessário buscar o ponto de equilíbrio, avaliando os riscos.

O ciclo de vida ágil é semelhante aos outros

  • Definir o que o cliente quer e iniciar o projeto;
  • Planejar o projeto, calculando esforço;
  • Executar o plano, construindo a solução;
  • Monitorar resultados e entregar ao cliente;
  • Ciclos mais rápidos, executados várias vezes.

O planejamento aperfeiçoa a agilidade. A agilidade dá eficiência ao planejamento.

Manifesto Ágil – par de alternativas se reforçam

  • Processos e ferramentas podem melhor capacitar os indivíduos e interações;
  • Documentação ajuda as pessoas a entenderem um software complexo;
  • Negociação de contrato pode ser parte integrante da colaboração do cliente;
  • Seguir um plano pode ser o melhor modo para responder a mudança, quando esta for previsível.

Observação: Pessoas comprometidas e suas proposições de valor são fundamentais!

Por favor, fique a vontade de contribuir com um comentário e compartilhar este artigo com seus amigos.

Meu endereço no Twitter é: @neigrando –  www.twitter.com/neigrando

Links relacionados com o assunto:

Espero que este artigo seja útil a você.

Fazendo as Idéias Acontecerem

“Fazer uma idéia acontecer = (A idéia) + Organização e Execução + Forças da Comunidade + Capacidade de Liderança” Scott Belsky

Penso que o título deste artigo tem tudo a ver comigo, pois sempre fui um tanto sonhador e visionário, mas que também gosta de planejar e partir para a ação. Ao longo da minha vida profissional tive duas empresas de tecnologia da informação e nelas tive a oportunidade de me envolver em diversos projetos, desenvolvendo soluções sob demanda para clientes e produtos de software. Fui bem sucedido em alguns e em outros nem tanto. Com poucos recursos disponíveis sempre busquei a excelência cumprindo prazos e atendendo as expectativas dos interessados.

Ao longo do tempo fui aprendendo sobre: metodologias e melhores práticas na gestão de projetos buscando formas mais simples e ágeis de colocar as idéias na prática; e como utilizar competências e talentos que as pessoas possuem em conjunto e sintonia para transformá-los em forças que permitem aumentar a produtividade e os resultados com redução de tempo, recursos e esforços.

Mas faltava algo que permitisse passar adiante a essência de tudo isso de forma simples, prática e objetiva para pessoas criativas que precisam transformar idéias em ação. Em resposta a esta busca encontrei o livro “Making Ideas Happen – Overcoming the Obstacles Between Vision and Reality” de Scott Belsky, fundador e CEO da Behance, empresa dedicada a capacitar e organizar o mundo criativo.

Making Ideas Happen

Fazendo as Idéias Acontecerem

O livro ensina a por em prática suas idéias e sonhos, com: projetos/ações, liderança e parcerias. Procura também responder a questão: como posso permanecer organizado no meio do caos do dia a dia realizando tarefas, gerenciando projetos e permanecendo com a mente clara o suficiente para ainda ser criativo?

Como ainda não temos o livro traduzido em português no Brasil, comprei a versão impressa na Amazon para a minha filha Marina, que é formada em Design Gráfico e trabalha no Portal da MTV. Ela é sonhadora, muito criativa, com espírito empreendedor, mas como quase todo mundo, com estas características, tem dificuldade de colocar as idéias em prática, planejar e partir para a ação. Não consegui esperar o livro chegar então comprei a versão digital do mesmo e tão logo baixei li o livro, utilizando as versões do aplicativo Kindle para iPhone e para PC.

Gostei muito das idéias, conceitos e conselhos práticos do livro e, ao invés de fazer um mapa mental ou resumo para uso pessoal, desta vez resolvi compartilhar um pouco do aprendizado resumindo tudo neste texto que segue:

Belsky ensina como fazer as idéias acontecerem no mundo real como produtos e/ou serviços. Ele escreve baseado em suas próprias experiências e no resultado de muitos anos de pesquisa com pessoas visionárias que sabem transformar idéias criativas em ações, e que geralmente atingem excelentes resultados. Ele explora a idéia de organização e execução no contexto da mente criativa e de ambiente de trabalho em constante mudança.

IDÉIAS NÃO ACONTECEM por serem maravilhosas ou por acidente. O conceito errado de que grandes idéias inevitavelmente levam ao sucesso prevaleceu por muito tempo. Se você tem a solução perfeita para um problema do dia a dia ou um novo conceito ousado para uma obra de arte criativa, você deve transformar visão em realidade. Mas você não precisa ter o talento de um gênio criativo para fazer as idéias acontecerem, pois isto está ao seu alcance. Para isso você precisa modificar seus hábitos de organização, envolver-se numa comunidade e desenvolver sua capacidade de liderança.

Muitas pessoas criativas geralmente improvisam e agem intuitivamente dizendo que esta é a essência de quem elas são, entretanto quando analisamos de perto como os mais bem sucedidos e produtivos criadores, empreendedores e homens de negócio verdadeiramente fazem as idéias acontecerem, veremos que “ter uma idéia” é apenas a menor parte de processo, talvez apenas um centésimo da jornada.

Thomas Edison dizia que “Gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração”. Para mentes criativas inspiração vem com facilidade, mas são necessários os outros 99 por cento para fazer acontecer, sendo assim você vai precisar de muita paixão e determinação. Belsky chama de “compromisso criativo” quando você é capaz de adotar as restrições e as melhores práticas necessárias, mas que inicialmente o deixam desconfortável. A aspiração que você deve ter é melhorar sua abordagem, e a responsabilidade que você deve ter é dar a suas idéias uma chance.

O livro lhe será útil se você: tiver uma grande idéia, ou idéias, mas não consegue tirá-las do chão; já está trabalhando em suas idéias e quer executar melhor; precisa aprender a melhor maneira de gerenciar tarefas e organizar (primeira parte do livro); quer criar uma equipe dinâmica que assume a sua idéia totalmente; deseja ativar a sua equipe para fazer mais e atingir resultados mais criativos.

Scott Belsky defende que você precisa de três coisas, que deverão ser usadas simultaneamente, para fazer alguma idéia acontecer: modificar seus hábitos de organização, envolver-se numa comunidade mais ampla, e desenvolver a sua capacidade de liderança.  Ele diz também que, apenas usando todas as três forças os indivíduos e a suas organizações podem superar obstáculos, sempre presentes, como desorganização, perfeccionismo e criatividade indisciplinada.

Assim, ele dividiu o livro em três partes:

1 – Organização e Execução

O autor fala da importância da execução revelando exemplos de pessoas com boas idéias que nunca as concretizaram e de outras com idéias não tão boas, mas que concretizaram e ganharam muito dinheiro. Isto ocorre porque para pessoas criativas, gerar idéias é bastante natural, mas o caminho para fazê-los acontecer é bastante tumultuada.

Criatividade X Organização = Impacto

A equação acima nos mostra que a organização é tão importante quanto as idéias, quando se trata de causar um impacto.

Se você quiser levar suas idéias adiante, precisa descobrir como organizá-las e, em seguida, como gerenciar o processo de trabalhar com elas. Uma boa parte do livro descreve como gerenciar melhor as tarefas. O sistema propõe três categorias principais: Passos de Ação, Referências, e Backburners. Um dos problemas com as idéias é que elas surgem em você nos momentos mais inconvenientes, sendo assim você precisa de um lugar para armazenar as novas idéias enquanto você avança sobre as atuais.

Belsky sugere que você tome uma abordagem baseada em projetos para fazer as idéias acontecem. Cada idéia principal deve ser um projeto e cada projeto deve ter os Passos de Ação, ou seja, as coisas que você precisa fazer para avançar a idéia; Referências, que são as informações que alimentam a idéia, mas não são necessariamente orientadas para a ação;  e Backburners, que são as coisas para análise futura. Belsky, e sua equipe no Behance,  desenvolveram o  chamado “Método de Ação”, um sistema de gerenciamento de tarefas que incorpora essas idéias. O método pode ser usado offline em planilhas de papel, ou através de  ferramenta de software disponível online via Web ou por um iPhone.

Ser organizado é o primeiro passo para a execução. As pessoas criativas têm uma tendência a pular de um lado para o outro, tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Quando ocorrer uma idéia nova, deixa de fora a velha. Com uma abordagem baseada em projetos e uma maneira de organizar e criar passos de ação em torno de uma idéia, você pode ficar focado e criativo ao mesmo tempo.

2 – Forças da Comunidade

A próxima peça grande de fazer acontecer idéias é a colaboração. Belsky defende que todas as boas idéias precisam de uma equipe para movê-las para a conclusão. Estou certo de que você pode encontrar exemplos em que isso não é verdade, mas Belsky tem grandes exemplos onde isso ocorre. Equipes fazem mais progressos do que indivíduos, pois nos permitem obter feedback, aprimorando idéias, aumentando a transparência e promovendo a partilha e conclusão dos trabalhos.

Isto não é sobre dinheiro, é sobre mentalidade. Tendo apenas uma pessoa que fica acordada a noite pensando em como resolver um problema ou aproveitar uma oportunidade especial é francamente insuficiente. Você precisa engajar a sua equipe como proprietários, compartilhando créditos, responsabilidades, e recompensas financeiras.

Belsky enfatiza a importância da colaboração, na qual um dos benefícios que ela traz surpreendente é o ceticismo. Se você adicionar continuamente muitas idéias no seu projeto, isto pode ameaçar o foco inicial e unidade. Os céticos tendem a ser negativos, mas podem expor falhas de uma idéia e dúvidas no início. Uma das melhores coisas que você pode fazer para que as idéias aconteçam, ao que parece, é matar as idéias ruins rapidamente.

Naturalmente, a colaboração pode lhe proporcionar muito mais, principalmente quando você consegue fazer mais pessoas ficarem animadas com a sua idéia; desenvolve a capacidade de organizar sua idéia em um projeto linear, e com a equipe parte rapidamente em direção a execução final.

Sessões de brainstorming são úteis para discutir idéias, mas devem começar com uma pergunta e o objetivo de obter algo específico, relevante e que gere ações. Você deve sair dessas sessões com mais convicção do que quando começou.

Outra coisa que Belsky traz é a dinâmica do Sonhador e Realizador. Se você é o Sonhador, é necessário encontrar um parceiro Realizador para que você possa colocar a sua idéia no mercado. Um sonhador é criativo e desafia o status quo. Um Realizador pode não ver bem o todo, mas pode ver todos os pequenos detalhes necessários para concluir o trabalho. Gary Vaynerchuk compartilha conselhos semelhantes. Sonhadores têm as  vezes medo dos realizadores, porque acham que eles vão comprometer o seu sonho. No entanto, sem Realizadores, por vezes, o seu sonho nunca verá a luz do dia. Belsky fala de um terceiro tipo de pessoa, e as chama de Incrementalista, pois tem as duas capacidades de Sonhador e Realizador, mas que às vezes tem como ponto fraco, a tendência de acumular muitas idéias e projetos simultaneamente e se sentir em conflito ou confuso.  Ele nos diz que o ideal para o Incrementalista é escolher um dos papeis e delegar o outro para um sócio ou outro colaborador.

3 – Capacidade de Liderança

Finalmente, para trazer suas idéias fluírem, você precisa aprender sobre liderança. A capacidade de liderança é o que torna a busca de uma idéia sustentável, escalável e, finalmente, bem-sucedida. Primeiramente você precisa liderar a si mesmo, se tornando organizado, e isto é um grande desafio. Então você cria o excitamento em torno de sua idéia e constrói uma equipe. Para manter a equipe motivada e produtiva, levando a sua idéia adiante, você deve aprender a trabalhar com os colaboradores, e fazê-los sentirem-se importantes no processo. Na última parte do livro, Belsky dá muitos conselhos, tomados de pessoas que tiveram grande sucesso em como liderar.

O desenvolvimento da liderança é algo experimental. Através de tentativa e erro, bons e maus momentos, que tornam os líderes gradualmente melhores, mas apenas se tiverem auto-conhecimento suficiente para perceber quando e por que erram.

O amor causa tanto empenho e, em seguida, muitas vezes, uma grande decepção. Mas um amor duradouro por uma idéia ou interesse pode empurrá-lo a ultrapassar os obstáculos. As pessoas que transformam indústrias e mudam o mundo são as pessoas que dominam o que amam. Elas continuam a exercer seu ofício porque amam o processo mais do que o resultado. E elas estão constantemente descobrindo novas maneiras de voltar a engrenar, mantendo o amor vivo, apesar do conjunto de pressões que vêm entre visões e realidade.

Ele nos orienta ainda sobre a influência do ambiente na criatividade e na execução. Por exemplo: tetos altos incentivam mais os pensamentos que fluem livremente e tornando o local ideal para brainstorming; por outro lado, ambientes mais fechados, podem ajudar no foco quando é hora de planejar e agir.

Assume que é comum a ocorrência de conflitos durante o processo criativo. E que isto é bom porque mostra a paixão das pessoas. Quando isso ocorre é importante descobrir as questões cedo e debatê-las na busca por soluções. A resposta é usualmente algum ponto no meio.

Os líderes devem falar por último, pois, quando falam primeiro, ninguém está disposto a desafiá-los mesmo que o líder não pode ter a melhor idéia. Outros tornam-se hesitantes em discordar ou oferecer soluções com o medo da rejeição. Em vez disso, os líderes devem promover a unidade da equipe na resolução de problemas e abrir a discussão apelando à participação de todos.

Há uma grande virada no conselho Belsky sobre a liderança. Para a maior parte dos casos, esta seção do livro pode estar em qualquer liderança ou manual de gestão. Mas Belsky sempre liga de volta para a idéia. A idéia é o motor que torna tudo isso possível. Então, quando você conduzir, faça isso como a idéia em mente, incutindo paixão a cada passo do caminho. Lembre que a execução é a chave, e não a idéia, mas que o ideal para a execução é uma grande idéia.

Tenho certeza que o  seu esforço para desenvolver a capacidade de fazer as coisas acontecerem vai valer o investimento.

Por favor, fique a vontade de contribuir com um comentário e compartilhar este artigo com seus amigos.

Meu endereço no Twitter é: @neigrando –  www.twitter.com/neigrando

Links relacionados ao assunto:

Livros relacionados ao assunto:

Getting things done – A arte de FAZER ACONTECER, de David Allen – Editora Campus. Uma fórmula anti-stress para estabelecer prioridades e entregar soluções. Ensina o método GTD para organizar o material de trabalho (stuff) e as atividades do dia a dia.

Desafio: Fazer Acontecer – A disciplina de execução nos negócios, de Larry Bossidy e Ram Charam – Editora Negócio. Título em inglês: Execution – The Discipline of Getting Things Done. Este livro está mais voltado para o Gerenciamento da Estratégia nas grandes organizações.

Outros livros:

Descubra seus Pontos Fortes, de Marcus Buckingham e Donald O. Clifton – Editora Sextante. Um programa revolucionário que mostra como desenvolver seus talentos especiais e os das pessoas que você lidera. Baseado num estudo do Instituto Gallup com mais de 2 milhões de pessoas.

O Livro Negro do Empreendedor – Depois não diga que não foi avisado, de Fernando Trias – Editora BestSeller. Fala, entre muitas coisas úteis, sobre avaliação e seleção de idéias.

Business Think – Regras para acertar em cheio nos negócios, de Dave Marcum, Steve Smith e Mahan Khalsa – Editora Rocco, com direitos da Frankling Covey Co. Também ensina a trabalhar melhor as idéias.

Trabalhe 4 horas por semana, de Timothy Ferriss – Editora Planeta. Como obter mais resultados com menos esforços.

Empreender Fazendo a Diferença, de Michael E. Gerber – Editora Fundamento. Para quem sabe fazer o pastel (técnico), mas quer ter uma pastelaria (empreender e adaministrar).

Criative-se – Um guia prático para turbinar o seu potencial criativo, de Guy Claxton e Bill Lucas – Editora Gente.

O Despertar na era da Criatividade – Passos de Desenvolvimento do Potencial Criativo para Realização Profissional e Pessoal, de Lois Robbins – Editora Gente. Título original em inglês: Waking up in the age of creativity.

Para o pessoal de TI que desenvolvem software, recomendo a busca de informações sobre metodologias ágeis como: SCRUM, XP e FDD; e a utilização de ferramentas de colaboração em projetos como JIRA da Atlassian.

Obrigado por ler este artigo.  Espero que tenha sido útil a você.